quarta-feira, 2 de março de 2011

Uma luz. Um oasis. A Fruta do paraíso.

Ela caminhava a passos rápidos, cruzando o centro da cidade. Ele estava parado. Vestia terno, gel no cabelo, e aparentava uma distinção social um tanto quanto forçada. Ela cruza o seu caminho, e ele a aborda.

- Olá, com licença.
- Desculpe, não falo com desconhecidos.
- Não sou um desconhecido. Eu sou a luz na escuridão. Um oasis. A fruta do paraíso.
- Melhor ainda, não falo com pessoas estranhas.
- Apenas um minuto é o que te peço.
- Em tempos capitais nada é de graça, tudo tem seu preço.
- Nesse caso tem recompensa. O retorno é melhor que a taxa de juros. Eu prometo.
- Promessa é pra política, e eu não suporto nem reunião de condomínio.
- Te entendo, também já fui assim, meio anti-social. Mas mudei e me sinto bem melhor e mais feliz e conheço o caminho.
- Então porque não escreve um livro de auto-ajuda e me dá licença? Tempo é dinheiro.
- Não percebe que você só corre por que quer?
- Corro por que preciso, tenho meus sonhos.
- Mas sonhos não são reais.
- Por isso tenho pressa. Só correndo posso tornar meus sonhos materiais.
- E é sobre isso que quero falar. . Eu sei o atalho, um caminho bem mais fácil. Eu sou a luz na escuridão. Um oasis. A fruta do paraíso
- Desculpe. Não assalto, não mato e nem roubo. Tenho os meus princípios.
- Então vamos começar do começo.
- Eu quero terminar por aqui mesmo.
- Ouça, você pode ter uma vida melhor.
- Quem disse que não gosto da minha vida?
- Tá bom, desisto. O problema é teu. Segue correndo. Fica no teu mundinho de empregado, de obedecer chefe, de ônibus lotado e pouco dinheiro. Vai que é o que tu merece. Fecha teus olhos e ouvidos pras chances da vida. O mundo já está cheio de perdedores. Seja mais uma, não faz mais diferença. Vai pra tua vida de comprar sapatos a prestação e filas pra pagar carnê. Teu mundo de sonhos e contos de fada, sem encanto nem magia.
- Ei espera um pouco (indignada e assustada).
- Espera nada, agora você é que me dá licença. Não tenho tempo pra perdedores.
- Ma-mas, o que você quer de mim, qual o seu problema (perplexa).
- Não importa, já foi. Vai e esquece o concreto, tua fada madrinha deve estar te esperando.
- Não, agora me explica. Que história é essa? Não me conhece e me enche de desaforo, fala da minha vida. Quem você pensa que é?
- Você quer mesmo saber?
- Sim, fala.
- Eu sou a luz na escuridão. Um oasis. A fruta do paraíso.
- Ai que saco. Pode te explicar por favor?
- Me veja como uma saída. Eu sei como você pode realizar os teus sonhos: carro novo, roupa nova, casa nova
- Isso eu também sei, basta ter dinheiro.
- E aí que eu entro. Tu precisa de alguém pra te dar idéias, te iluminar. Eu sou a luz na escuridão. No meio desse caos que vivemos, dessa correria, desse sufoco, tu precisa de tempo pra respirar. Tomar uma água. Eu sou um oasis. Na multidão tu não pode ser apenas mais um. Pra sobreviver tem que se destacar, saber as coisas. Eu sou a fruta do paraíso que dá o poder, só que sem pecados. Eu sou a tua saída. Posso fazer a tua vida mais fácil.
- E pode também, por favor, me dizer como?
- Tudo nessa vida tem um preço, inclusive teus sonhos. Me diz, quanto você acredita que eles custam?
- Uma vida de trabalho duro e...
- Não. Quero saber o valor deles.
- Como assim? Meus valores...
- Você não entende? Quero saber valores, grana, bufunfa. Quanto você acha que precisa, pra realizar todos os teus sonhos?
- Ahhh! Muito. É muita coisa.
- Não tenha medo, o céu é o limite.
- E quanto mais alto, maior é o tombo. Deixa assim, já te entendi. Não quero e nem preciso de dinheiro. Tu e teu bando de agiotas disfarçados. Tchau mesmo, fui...
- Ei, não, espera. Eu sou a luz na escuridão. Um oasis. A fruta do paraíso.

Ela deu as costas e retomou o seu caminho.

Ele tentou, sem sucesso, vender mais alguns empréstimos, mas foi embora sem comissões. A falta de dinheiro ainda era um problema. Em casa não havia luz elétrica. Ele fedia, mas não podia tomar banho. A água também havia sido cortada. Comeu a última maça velha que encontrou e tentou esquecer a fome. Deitou-se e tentou dormir. Sonhar era só o que lhe restava.

terça-feira, 1 de março de 2011

O Dia em que Severino encontrou Aristóteles.

Inspirado pelos notíciarios do então Presidente da Câmara de Deputados Federa, Severino Cavalcanti, de Pernambuco, que defendia a prática do nepotismo, escrevi um pequeno conto sobre Justiça Particular Distributiva. Conceito desenvolvido por Aristóteles, que discute a prática da ética e dos poderes e deveres inerentes aos legisladores.

O texto abaixo promove o encontro das duas personalidades.

O Dia em que Severino encontrou Aristóteles.

A - Deputado Severino, andei te observando ultimamente e cheguei a uma conclusão.

S - Diga.

A - O senhor é um viciado.

S - Isso é uma acusação difamatória, incabida. Já me acusaram de tudo e agora tão dizendo que to envolvido com essas histórias de tóxico, que é que falta agora?

A - Calma Severino, pra começar isso não uma acusação. É uma constatação.

S - Por que diabos você diz isso?

A - O senhor sabe o que é ser justo, seu Severino?

S - Sei muitcho bem. Eu sou um exemplo de retidão e justiça. Ninguém é mais justo do que eu.

A - E o senhor acha justo empregar parentes pra cargos públicos?

S - Essa história de nepotismo de novo. Nepotismo é coisa pra fracassados e derrotados que não souberam criar seus filhos. Eu criei bem os meus filhos, que têm universidade, e agora estou indicando o meu pra ministro, o que que tem isso?

A - O que isso tem é que isso não é ético.

S - O diaxo. Só tenho levado cacete. Já tenho história para contar. O que que ético tem que ver com nepotismo?

A - Calma, eu explico Severino. O senhor já ouviu falar em justo particular
distributivo?

S - Claro que sim.

A - O que é então?

S - É que tenho feito. Estou distribuindo cargo público pra quem eu acho que é justo.

A - É mais ou menos isso Severino. A justiça distrubutiva não trata apenas da distribuição de benefícios. Trata também da distribuição de deveres.

S - É por isso que eu sou a favor do aumento dos impostos.

A - Mas Severino, a acepção básica de justiça é a busca do equilíbrio, o
encontro do meio termo. O senhor é um representante de quem o elegeu, um legislador. Tem-se por base que o senhor é uma pessoa que pratique o justo, não por que as leis mandam, e sim porque é ineterente ao senhor. O senhor, presupostamente, é uma pessoa que tem a virtude de ser justa.

S - E...

A - E cobrar mais impostos do povo, o que pode ser visto como um malefício, ao mesmo tempo que você ajuda a empregar apenas as pessoas que estão na sua volta, não é bem vistos, do ponto de vista ético.

S - Olha aí, outra acusação. Eu sou ético sim senhor.

A - Deputado Severino, ser ético é praticar o justo. O senhor tem que praticar essa justiça por base nas leis. E o senhor não a tem feito. Se você não hage de maneira justa, sem equilíbro, você não é uma pessoa ética.

S - Olhe meu rapazinho, eu não sei quem tu e nem sei de onde tu tirou essas roupas esquisitas. Eu sou um homem visionário, e quero expandir o horizontes de meus filhos. Eles tem que aprender é com homens históricos como Alexandre o Grande, não tem que dar bola pra pessoinhas como você que não sabem de nada. E não quero mais discutir esse assunto com você. Só uma coisa me deixou curioso, por que você me acusou de estar envolvio com tóxico?

A - Eu nunca disse isso Severino.

S - Disse sinsinhor que eu me lembro. Tu disse que eu era um viciado.

A - Ah, isso! Percebo que você não entendeu nada sobre o que conversamos Deputado Severino. Uma pessoa, que ao invés de praticar o justo, pratica o injusto de forma contínua se caracteriza por uma pessoa que possui vícios. Ou você acha que o nepotismo é justo?

S - Claro que é justo. A pessoa que contrato é meu rebento, sangue do meu
sangue. E se é pra cargo de confiança, eu tenho q colocar um parente em quem eu confie.

A - Um parente até vá lá, mas oito Deputado Severino. Oito?

S - Ai meu santo. Só falta dizer agora que o poder me corrompeu.

A - Corrompeu sim, mas não vou falar desse assunto com o senhor. Isso eu deixo pro meu amigo Rosseu conversar contigo outra hora.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Pobre idealista:

"O amor só é verdadeiro quando é complementar".

Joseara e seu amor etéreo.

Joseara acordou de susto e percebeu que já estava tarde.

Teria que correr porque o ônibus já estava de saída e aquele era o último da noite.
Juntou as roupas espalhadas pelo chão e iria deixá-lo ali mesmo, dormindo, desacordado. Roncava alto, sonoro, estrondoso. Mas quando se ama na se enxerga, ou se ouve, esse tipo de coisa.

Pobre, feio a ainda roncava. Se pelo menos ele tomasse banho todos os dias.

Parou de pensar nessas sandices e calçou as sandálias. Corria apenas nos dias de promoção relâmpago nos balaios do centro, mas aquela era uma situação de emergência.

Naão era alta, por isso Joseara pulou com o braço esticado, tentando alcançar o dinheiro da passagem que estava na parte de cima da estante, onde Rodinei, seu amado, mantinha seus bens a salvo dos ratos.

Sem sucesso desistiu. O ônibus não iria esperar mais essa aventura esportiva na noite de Joseara. Pegou do bolso da calça de Rodinei três vales-transporte, um para cada condução que teria que usar para chegar até sua casa.

Sem mais enrolação, saiu Joseara porta a fora, sem bilhetes nem beijos de despedida. Rodinei apenas roncava, e as vezes sacudia um pouco a perna esquerda, que era renga.

Enquanto corria, tentando não errar os passos nem os degraus das escadas que descia, pensava e não conseguia entender como podia amar tanto um ser tão triste e sem graça como Rodinei.

Lembrou-se do dia em que eles se conheceram. Ela sentada no banco frio de madeira do posto de saúde onde esperava pelo seu atendimento. Rodinei saia da sala do médico, faixa na cabeça, puxando a perna. Uma marca de costura na testa, e outra no braço esquerdo. Conseqüências de mais uma noite de bebedeiras e brigas. Rodinei prometia ao médico ficar livre de confusões, e assim preservar seus últimos dentes.

Joseara acordou das memórias com o ônibus quase partindo do ponto. Entrou e sentou-se sozinha. Com um sorriso no olhar, pensava em Rodinei e já ia quase morrendo de saudades de seu amado.

Pintura

Traço torto, trago
Tropeço, trapaça, tramóia
Tapas, tiros, tripas
Trôpego, tragédia..

Troço torto, roto, trapo
Trindade, terço e tricô
Tez turva, tácito.

Esperança

A fragilidade inquieta do outono.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Sempre há um recomeço.

Aqui começa

aQui começa

aqUi começa

aquI começa

aqui Começa

aqui cOmeça

aqui coMeça

aqui comEça

aqui comeÇa

aqui terminA

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Fsreas aleat...órias #2

frases soltas que eu ouço por aí


"Nós não somos nada sem Deus."

"Ah, foi só um, hahaha."

"Olha os curioso tudo correndo."

"Parece que foi as 6h, mas tem gente dizendo que foi as 5h."

Enquanto o motorista do rabecão trabalhava tranqüílo carregando as macas.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008