Inspirado pelos notíciarios do então Presidente da Câmara de Deputados Federa, Severino Cavalcanti, de Pernambuco, que defendia a prática do nepotismo, escrevi um pequeno conto sobre Justiça Particular Distributiva. Conceito desenvolvido por Aristóteles, que discute a prática da ética e dos poderes e deveres inerentes aos legisladores.
O texto abaixo promove o encontro das duas personalidades.
O Dia em que Severino encontrou Aristóteles.
A - Deputado Severino, andei te observando ultimamente e cheguei a uma conclusão.
S - Diga.
A - O senhor é um viciado.
S - Isso é uma acusação difamatória, incabida. Já me acusaram de tudo e agora tão dizendo que to envolvido com essas histórias de tóxico, que é que falta agora?
A - Calma Severino, pra começar isso não uma acusação. É uma constatação.
S - Por que diabos você diz isso?
A - O senhor sabe o que é ser justo, seu Severino?
S - Sei muitcho bem. Eu sou um exemplo de retidão e justiça. Ninguém é mais justo do que eu.
A - E o senhor acha justo empregar parentes pra cargos públicos?
S - Essa história de nepotismo de novo. Nepotismo é coisa pra fracassados e derrotados que não souberam criar seus filhos. Eu criei bem os meus filhos, que têm universidade, e agora estou indicando o meu pra ministro, o que que tem isso?
A - O que isso tem é que isso não é ético.
S - O diaxo. Só tenho levado cacete. Já tenho história para contar. O que que ético tem que ver com nepotismo?
A - Calma, eu explico Severino. O senhor já ouviu falar em justo particular
distributivo?
S - Claro que sim.
A - O que é então?
S - É que tenho feito. Estou distribuindo cargo público pra quem eu acho que é justo.
A - É mais ou menos isso Severino. A justiça distrubutiva não trata apenas da distribuição de benefícios. Trata também da distribuição de deveres.
S - É por isso que eu sou a favor do aumento dos impostos.
A - Mas Severino, a acepção básica de justiça é a busca do equilíbrio, o
encontro do meio termo. O senhor é um representante de quem o elegeu, um legislador. Tem-se por base que o senhor é uma pessoa que pratique o justo, não por que as leis mandam, e sim porque é ineterente ao senhor. O senhor, presupostamente, é uma pessoa que tem a virtude de ser justa.
S - E...
A - E cobrar mais impostos do povo, o que pode ser visto como um malefício, ao mesmo tempo que você ajuda a empregar apenas as pessoas que estão na sua volta, não é bem vistos, do ponto de vista ético.
S - Olha aí, outra acusação. Eu sou ético sim senhor.
A - Deputado Severino, ser ético é praticar o justo. O senhor tem que praticar essa justiça por base nas leis. E o senhor não a tem feito. Se você não hage de maneira justa, sem equilíbro, você não é uma pessoa ética.
S - Olhe meu rapazinho, eu não sei quem tu e nem sei de onde tu tirou essas roupas esquisitas. Eu sou um homem visionário, e quero expandir o horizontes de meus filhos. Eles tem que aprender é com homens históricos como Alexandre o Grande, não tem que dar bola pra pessoinhas como você que não sabem de nada. E não quero mais discutir esse assunto com você. Só uma coisa me deixou curioso, por que você me acusou de estar envolvio com tóxico?
A - Eu nunca disse isso Severino.
S - Disse sinsinhor que eu me lembro. Tu disse que eu era um viciado.
A - Ah, isso! Percebo que você não entendeu nada sobre o que conversamos Deputado Severino. Uma pessoa, que ao invés de praticar o justo, pratica o injusto de forma contínua se caracteriza por uma pessoa que possui vícios. Ou você acha que o nepotismo é justo?
S - Claro que é justo. A pessoa que contrato é meu rebento, sangue do meu
sangue. E se é pra cargo de confiança, eu tenho q colocar um parente em quem eu confie.
A - Um parente até vá lá, mas oito Deputado Severino. Oito?
S - Ai meu santo. Só falta dizer agora que o poder me corrompeu.
A - Corrompeu sim, mas não vou falar desse assunto com o senhor. Isso eu deixo pro meu amigo Rosseu conversar contigo outra hora.

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