Era um sorvete de baunilha, pelo menos era o que estava no cartaz. Morango era muito mais doce, e doía-lhe os dentes. Caminhou sozinha segurando aquela casquinha macia, o sorvete derretendo e melecando a mão. Lambia-se, desavisada dos olhos alheios que acompanhavam os passos bailados, de lambidas frenéticas e dentes reluzentes.
Alguém diria que aquilo era uma blasfêmia em movimento. Um, dois. Um, dois. Seguiu desavisada, sem saber que mais adiante algo poderia mudar a sua vida, caso não tivesse atravessado a rua. Juntou um último caco do guardanapo e mastigou extasiada de prazer. Mas ela foi para o outro lado da avenida, o sorvete acabou, ela continuo o seu caminho e nada aconteceu. A história acabou assim, sem muitas novidades. Mas sempre há um amanhã.
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