sábado, 19 de janeiro de 2008

O mundo só não está menor por falta de espaço.

Esse texto é de 2002, mas ainda gosto dele.

As grandes descobertas são pequenas.

Com exceção dos sacos de pipoca, parece que tudo está diminuindo. Ou pelo menos ocupando menos espaço. Essa onda de "reducionismo" já é antiga e se vê em tudo que é lugar. Os velhos LPs bolachões já foram, há muito, abandonados pela maioria das pessoas em troca dos Compact Discs. E como as coisas não param, além de se reduzir forma, se reduz formato. Surgem, então, coisas como DVD, MP3, DiviX etc. O que já era pequeno está ainda menor. A tecnologia é grande aliada dessa tendência.

Até há pouco, havia um aparelho específico para cada coisa: máquina de escrever, telefone, videogame, calculadora, despertador, máquina fotográfica. Agora existem telefones celulares, menores que canivetes suíços, que possuem tudo isso e mais um pouco.

Na Europa, a grande onda é ter carro pequeno. São muitos e não param de surgir com nomes, no mínimo, sugestivos: Mini, Micra, Smart (que deveria se chamar Small). Parecem miniaturas movidas a gasolina. Os japoneses cobiçam tanto os espaços que já estão construindo prédios em cima do oceano. E existem alguns quartos de hotéis que são legítimas gavetas. O cidadão não é hospedado; é guardado. Assim como os cemitérios, que não ocupam mais metros quadrados, mas andares. As lápides foram trocadas por uma foto 3x4 e um bilhete com o nome do defunto. Já a China é mais radical: as pessoas é que estão sendo reduzidas. Óbvio que ninguém está sendo cortado ao meio (pelo menos por enquanto), mas casal que tem mais de um filho vai preso. E a criança ainda é morta. O fato é que a Terra, que não muda de tamanho, está diminuindo e o espaço está acabando. Cada pequeno espacinho está cada vez mais disputado.

A grande notícia desse início de ano foi a clonagem de um ser humano. O código genético já foi todo decifrado e é possível manipulá-lo no homem quando este ainda é um embrião. E o medo que surge para nós, pobre mortais, é que comecem a ser produzidos seres superiores a nós. Mas como seriam esses superseres? Uma coisa já da pra deduzir: anões.

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